À Família Bello

 

A beleza que deslumbra
A bruma branca do mar
É a mesma que dá brilho
Às estrelas do luar...
 


A beleza que cintila
No olhar de uma criança
É a mesma que acende
A chama da esperança...
 


A beleza que desperta
Com a luz da alvorada
É a mesma que aquece
O coração da amada...
 


A beleza que entrelaça
Essa família tão bela
É a moldura que abraça
A pintura de uma tela...
 


E se o BELO com um L
Nos envolve com emoção,
Com dois LL é covardia,
É múltiplo de harmonia,
De paz, de amor, de união...
 
 

 

Poema dedicado à família Bello por ocasião do encontro do dia 01/04/2006 em Juiz de Fora.

Antonio Manoel Abreu Sardenberg

Todos os direitos reservados ao autor

 

 

UBAÍRA

 

Por: Augusto Bello de Souza Filho

Brasília - DF, junho de 2004.

 

Ah! Ubaíra querida,

Amor de minha vida,

Que de mim não sai!

 

Por quê ages assim?

Tão sutil e sorrateira,

Seduzente e faceira,

Que de mim não sai!

 

Vai ano e vem ano!

Nada muda entre nós!

Tu sempre atraente!

Eu sempre a sós!

 

Quanto mais te vejo

Mais te amo,

Quanto mais te amo

Te quero mais.

 

Sou amante e sou amigo!

És meu abrigo!

Por quê de mim não sai!

 

 

SALVADOR

 

Por: Augusto Bello de Souza Filho

Brasília - DF, outubro de 2003.

 

Ah! Salvador!

Quem me dera se eu pudesse!

 

Te amar com todo ardor

Ficaria contigo noite e dia

E falaria do meu amor.

 

Ah! Salvador!

Quem me dera se eu pudesse!

 

Todos os dias te visitar,

Andaria por todo o canto,

Para te ver e me encantar!

 

Ah! Salvador!

Quem me dera se eu pudesse!

 

Sempre, sempre te cantar

Mesmo distante como agora,

Escrever, dormir e sonhar.

 

Ah! Salvador!

Quem me dera se eu pudesse!

 

Novamente te encontrar

Andaria por tuas ruas

Avenidas,  praças e mar.

 

Ah! Salvador!

Quem me dera se eu pudesse!

 

Estaria sempre contigo

Te dar presente e buquê

Te reverenciar e viver.

 

Ah! Salvador!

Quem me dera se eu pudesse!

 

Sempre estar dentro de ti,

Passear todos os dias,

Andar, correr, sonhar, sorrir.

 

 

MENINOS DE RUA

 

Por: Augusto Bello de Souza Filho

Recife -PE, julho de 1991.

 

Pobres crianças do Brasil

Onde está o teu futuro,

Dormindo pelas calçadas,

Atiradas ao chão,

Por cantos e recantos,

Dessa grande nação.

 

Quem olha e não te vê,

É duro como a pedra,

Insensível ao tufão,

Que não se abala,

Com  a mente fechada,

E sem coração.

 

Quem sabe menino!

Talvez amanhã tudo mude,

Se criança não morreres,

Quem sabe um dia terás,

Escola pra estudar,

E comida pra fartar.

 

Ou debaixo da ponte,

Pobre doente a morrer,

Quem sabe o teu destino,

Poderá te levar,

Ser assaltante e assaltar,

Viver, morrer, matar.

 

Se na cela fores jogado,

Para fora olharás,

E verás pelas ruas,

Triste semente a crescer,

Novos meninos de rua,

Lutando pra sobreviver.

 

 

Por que Saudade?!

 

Por: Augusto Bello de Souza Filho

Salvador - Ba, janeiro de 1998.

 

I

Já faz tempo! Eu sei.

Mas, por quê se faz tão presente?

Por quê parece tão vivo, tão renovado!

Tão ardente, tão evidente!

Por quê agora se aflora?

Por quê se arvora com tanto ardor?

Se já estava distante,

Sepultado, guardado, sem lembrança:

Tão apagado!

Por quê está tão presente?

Bem na minha frente!

Na minha mente.

 

II

 

Não faz parte do passado? Do amor apagado?

Das coisas que se foram?

Que um dia deixei para trás?

Não eram lembranças mortas?

De há muito sepultadas?, esquecidas! Distantes! perdidas?

Por quê se levanta tão de repente?

Por quê se ergue tão sadia?

Dia após dia!

Por quê o que imaginei não existir, existia?

E por quê o que imaginei existir aos poucos se esvaia?

Por quê ressuscita?

Por quê suscita? Por quê então grita?

Por quê se agita dentro de mim?

 

III

 

Será que foram as raízes?

Não cortadas?! Não arrancadas?!

Que ficaram encravadas!,

E querem brotar?!

Ou foram sementes espalhadas,

Pelo meio da vida,

Que guardou paciente,

Muitos anos, muitos anos à frente,

E quando tudo parecia calar!

Renovou novamente!?

Querendo me afagar!

 

IV

 

Será que foi a chuva,

Que a fez germinar?

Agora não sei!

Não sei o que fazer!

Estou parado, calado, pensando!

Que devo fazer?!

Não posso voltar atrás,

Não posso recomeçar,

E viver os mesmos dias!

Que distantes já vão!

 

V

 

Mas, se continuar chovendo!

O que vai acontecer?

Se a planta crescer!

Se a planta crescer novamente!

O que vou fazer?

Até já me peguei:

Parado pensando, caminhando, viajando,

Pelo passado vagando,

Por que saudade?

Por que mexer comigo?

Se nada parecia ter contigo!

 

VI

 

Lembrando-me aqueles dias,

Que nunca mais voltarão!

Sim eu sei que nem tudo foi em vão!

Segui pelo caminho,

Que meu coração apontou,

Não sei se foi certo!

Não sei dizer!

O que meu coração falou!

Talvez foi coisa da emoção!

Da emoção que ficou.

 

 

Pensei

Autor desconhecido

 

Sentei  na beira dágua

E comecei  a chorar,

Uma estrela que passava

Se  pôs a me olhar.

 

Eu  não podia me conter

E ela a mim perguntar:

- "O que fazes nessa lagoa

E por quê vives a chorar?!

 

Eu sou uma estrela triste,

Vagando pela amplidão.

Em busca do amor,

Que existe em seu coração.

 

Eu sou aquela estrela,

Que você vê da janela,

Vagando pelo espaço,

A  procura de você.

 

Não quero ver-te  triste,

Não chores por favor,

Em troca do seu sorriso,

Eu  te dou o meu amor".

 

Com os olhos rasos  dágua

Num  segundo me alegrei!

Meu  coração ficou aos pulos,

Quando para  a estrela olhei.

 

E  vi no seu lindo olhar,

O que há tempos eu não via,

No meio dos lindos olhos,

Uma vida cheia de alegria .

 

Este foi um sonho,

Que nunca vou esquecer.

Lembrando sempre,

Que a estrela era você.

 

 

A VISÃO

Por: Augusto Bello de Andrade

(1906-1964)

 

QUANDO A TARDE IA MORRENDO

TIVE A TRISTE DECISÃO

O OCULISTA ME DISSERA

QUE EU NÃO TINHA MAIS VISÃO

 

EU SONHAVA VENDO O CÉU

E AS ESTRELAS TAMBÉM

NÃO PENSAVA NA ILUSÃO

QUE TODA GENTE TEM

 

O DESENGANO É TÃO TRISTE

QUE FAZ A GENTE SE ACABAR

MAS EU SOU RESIGNADO

EMBORA A NOITE NÃO VÁ FINDAR

 

VIVEREI SEMPRE NO ESCURO

MEU MARTÍRIO É SEM FIM

MAS O DEUS DA MISERICÓRDIA

TERÁ COMPAIXÃO DE MIM

 

SÓ SE DEUS DESCESSE À TERRA

EM FIGURA DE ESPECIALISTA

ENTÃO SERIA BEM POSSÍVEL

QUE EU RECUPERASSE A VISTA

 

 

FELICIDADE

Augusto Bello de Andrade

(1906-1964)

FELICIDADE, ONDE VOCÊ MORA?

POIS EU DESEJO LHE FALAR,

JÁ FAZ TEMPO QUE LHE PROCURO

MAS NUNCA PUDE LHE ENCONTRAR.

 

FELICIDADE, SERÁ IRONIA?

SEJA MENTIRA OU VERDADE,

VOCÊ EXISTE COMO ABSTRATA,

MAS É TÃO FESTIVA ESSA FELICIDADE.

 

EU SONHAVA COM A FELICIDADE!

PASSEANDO EM LONGE JARDIM,

DAVA FLORES A TODA GENTE,

PORÉM ELA SE ESQUECIA DE MIM.

 

TRISTE E SOLITÁRIO FIQUEI,

QUANDO DESCIA UM IMENSO VÉU,

E UMA VOZ SORRIDENTE FALAVA:

- "FELICIDADE?! AQUI NÃO, SÓ NO CÉU".

 

 

Meu pai

 

Por: Augusto Bello de S Filho

Brasília (DF), 02.08.2005

Ah! meu pai,

No silêncio que habitas,

Você não pode imaginar,

A saudade que deixou,

Foram horas dias e anos,

De lamento e de dor.

 

Muitas e muitas vezes!

Sonhei com você!

Eu ficava tão feliz,

Mas, quando acordava,

A saudade, a saudade apertava,

E meu coração cortava.

 

Lembro-me os primeiros dias,

De quando você partiu,

Em nossa casa da chácara,

O mundo parece que ruiu,

Foi tão difícil sem você,

Foi tão difícil viver.

 

O que parecia uma viagem,

Daquelas que você fazia,

E que depois voltava,

Logo virou um pesadelo,

Que nunca acabava.

 

Porque as nossas mentes,

Não nos deixava crer,

Que fostes embora,

Para nunca mais nos ver.

 

Ah! meu pai,

Agente lutou! lutou demais!

Nos espalhamos Brasil à fora,

Tudo para sobreviver.

 

Estudamos, nos estruturamos,

Não fomos muito longe,

E não viramos doutor.

 

Mas, de sua descendência,

Na segunda geração,

Deus nos deu uma gente,

Que você precisava ver.

Eles estão conseguindo tudo,

Tudo o que você sonhou,

Bacharéis, mestre e doutor.

 

Seria tão bom se você vivesse,

Se você vivesse para ver,

Para ver todas as coisas,

Que eles estão a fazer.

 

Ah! pai,

Imagine então os bisnetos,

Que já vieram e

Outros que estão para chegar.

A terceira geração de você.

 

Ah! pai,

Não preciso nem lhe falar,

Da guerreira que mainha foi,

Todos estes anos sem você.

Sem ela não teríamos vivido,

Nem teríamos ficados unidos.

Unidos para vencer!

 

Ah! Pai,

São quarenta anos sem você,

Ainda me aperta o peito,

E dói o coração.

Dos olhos saem lágrimas,

Lágrimas de saudade.

Saudades de você.

 

Óh! Como foi ruim,

Todos esses anos sem você!.

Você jamais será esquecido,

Enquanto eu viver.

 

Lembrar-me-ei sempre,

Dos poucos anos,

Dos poucos anos,

Que vivi com você.

De como nos amava,

De sua luta, de seu viver.

 

Ah! meu pai,

No silêncio que habitas,

Você não pode imaginar,

A saudade que deixou,

Foram horas dias e anos,

De lamento e de dor.

 

 

A MINHA ESPOSA

 

Por: Augusto Bello de Souza Filho

Brasília (DF), 29/10/06.

De você brotou a vida,

A vida que me faz feliz,

É vero que não foi só você,

Porque eu também quis.

 

E assim passaram os anos,

Tão rápido que não vimos,

Que a idade chegou.

 

A vida que você trouxe,

Trouxe vida também,

Que me renovou.

 

E como a vida é bela,

Eu não posso esquecer,

Dos dias, horas e noites,

Que ficamos - eu e você!

 

 

A MOÇA DA JANELA

 

Autor desconhecido

Se não paras na janela,

E não deixas por um pouco,

Por um momento te ver,

Parece até que não estou,

Nem aí para você.

 

Para ficar mais fácil,

Para mim e para você,

Tu finges que me olhas,

Eu finjo que vejo você.

 

Fazemos de contas então,

Que ninguém quer se ver,

Você olha para o infinito,

E eu olho pá você.

 

Mas, se de repente agente,

Um olhar no outro cruzar,

Não se apresse nem disfarces,

Deixa por um instante

O meu olhar no teu olhar parar!

 

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